Artigo

Testemunhas oculares da história: o Concílio de Niceia nas fontes antigas

Nos 1.700 anos do Concílio de Niceia · Parte 3 de 3

Pastor Dr. Glen L. Thompson

Wisconsin Lutheran Quarterly, v. 122, n. 4 (outono de 2025) · Parte 1 · Parte 2 · Parte 3

Atanásio, diácono de Alexandria

Foi como teólogo em formação que Atanásio participou do concílio.41 Os historiadores do século V referem-se a ele como auxiliar de Alexandre (assim Gelásio e a História eclesiástica anônima) ou como seu assessor (Rufino); ainda assim, Gelásio diz que “era reconhecido por todos que ele tinha sua parte no coro daqueles santos homens” em Niceia.42 Em sua Segunda apologia ou Apologia contra os arianos, falando de si mesmo na terceira pessoa, Atanásio diz que o “ódio [dos arianos] contra ele aumentou muito depois que experimentaram sua piedade para com Cristo no concílio reunido em Niceia, pois ele falou ousadamente contra a impiedade dos loucos arianos” (6). Sócrates escreveu que em Niceia os arianos “encontraram forte oposição da parte de Atanásio” (1.8.13), e Sozomeno (1.17.7) afirma que Atanásio “parecia ter a maior parte no conselho” a respeito dos ensinamentos de Ário. Ninguém, porém, fornece detalhes, de modo que não se sabe exatamente como Atanásio participou. Foi somente vários anos depois, quando sucedeu a Alexandre como bispo (328 d.C.), que podemos começar a acompanhar sua ascensão, tanto como o mais eloquente defensor de Niceia quanto como o mais evidente para-raios de seus oponentes.

Embora obras teológicas e apologéticas tenham começado quase imediatamente a sair em profusão de sua pena, passou-se um quarto de século depois de Niceia até que o concílio se tornasse um tema importante nos escritos de Atanásio. Por exemplo, não há nenhuma menção a Ário ou ao concílio em sua famosa obra Sobre a encarnação, aparentemente escrita logo após o concílio,43 e quase nenhuma menção em seus três Discursos contra os arianos, escritos no fim da década de 330 e no início da de 340. Somente em sua Defesa da definição nicena (De decretis), uma coletânea de documentos encadeados por breves narrativas no início da década de 350, isso muda.44

Após uma breve introdução, Atanásio escreve:

Eis o que aconteceu a Eusébio [de Nicomédia] e seus associados no Concílio de Niceia: como eram contenciosos em sua impiedade e procuravam lutar contra Deus, sua terminologia era totalmente irreligiosa. Mas os bispos reunidos, que eram cerca de trezentos, com mansidão e caridade exigiram que eles se explicassem e se defendessem de modo piedoso. Mal começaram, porém, a falar, foram condenados, e um divergia do outro. Então, envergonhados por causa de sua heresia, ficaram calados e, com seu silêncio, confessaram a desonra que recaiu sobre sua heterodoxia. Diante disso, os bispos, tendo rejeitado os termos inventados por eles, expuseram contra eles a fé sã e eclesiástica. (Decr. 2.6-3.2)

Isso confirma o que Constantino havia escrito à igreja de Nicomédia sobre os esforços de seu bispo Eusébio para promover no concílio suas concepções heterodoxas.45 E então Atanásio acrescenta imediatamente:

Visto que todos o subscreveram [o credo de Niceia], Eusébio e seus companheiros também o subscreveram, com aquelas mesmas palavras de que agora se queixam: “da essência” e “de uma só essência” e que “o Filho de Deus não é criatura nem obra, nem uma das coisas originadas, mas que o Verbo é gerado da substância do Pai”. E o que é de fato estranho: Eusébio de Cesareia, na Palestina, que na véspera havia negado, mas depois subscreveu, enviou uma carta à sua igreja dizendo que essa era a fé da igreja e a tradição dos Pais, e fez uma profissão pública de que antes estavam em erro e combatiam temerariamente contra a verdade. (3.2-3)

Temos aqui uma bem-vinda indicação cronológica. Atanásio parece situar primeiro o debate com o bispo de Nicomédia, seguido de perto pela discussão centrada no outro Eusébio (de Cesareia). Este, a princípio, recusou-se a aceitar qualquer declaração que contivesse o termo homoousios e apresentou seu próprio credo sem ele, apenas para vê-lo rejeitado. Depois, após mais um dia de discussões, foi convencido a aceitar o uso de homoousios e concordou em assinar o credo do concílio. Sua carta à igreja de Cesareia também parece ter sido enviada muito pouco tempo depois.

O De decretis de Atanásio prossegue com a exposição teológica do próprio Atanásio sobre os pontos cristológicos em jogo. Ele volta a Niceia e aos partidários arianos no início da seção 18, dizendo:

Ora, Eusébio e seus companheiros haviam sido previamente examinados longamente e tinham sido condenados [por doutrina incorreta], como eu disse antes. Mas então subscreveram e, depois dessa mudança de ideia, calaram-se e se retiraram. … Ora, ficou demonstrado, tanto então como agora, que as referidas expressões não espirituais dos inimigos de Cristo são totalmente sacrílegas. Em contraste, o que o concílio escreveu e estabeleceu contra elas, quando examinado com exatidão, mostrará que encerra plenamente a verdade, especialmente se se der diligente atenção à situação que deu origem a essas expressões, a qual foi razoável. Foi a seguinte. (18.1, 5)

Atanásio então explica ao seu público de então (c. 350) por que declarações doutrinárias podem legitimamente usar palavras que não se encontram nas Escrituras, desde que sejam entendidas como expressão de conceitos bíblicos. Depois, na seção 19, explica por que o concílio decidiu fazer seguir à frase ἐκ τοῦ πατρὸς μονογενῆ as palavras explicativas τουτέστιν ἐκ τῆς οὐσίας τοῦ πατρός. Na seção seguinte (20), conta como os arianos “foram apanhados cochichando entre si e piscando os olhos, [dizendo] que ‘semelhante’, ‘sempre’, ‘poder’ e ‘nele’ eram, como antes, [expressões] comuns a nós e ao Filho, e que, portanto, não havia dificuldade para eles em concordar com elas”. Em consequência, os bispos ortodoxos “viram-se novamente obrigados, de sua parte, a reunir o sentido das Escrituras e a reafirmar e reescrever de modo ainda mais preciso o que haviam dito antes, a saber, que o Filho é homoousios com o Pai”. Na conclusão do tratado, depois de um elogio final ao “zelo pela verdade” do concílio de Niceia (32), ele anexa dez documentos, a maioria de 325, logo após o concílio, que são as mais antigas cópias remanescentes da maior parte dessas cartas.46

Uma década depois, c. 360, Atanásio escreveu outra obra apologética, esta uma análise dos recentes sínodos gêmeos de 359, Sobre os sínodos de Arímino e Selêucia (De synodis). Nela, ele fornece o único excerto mais longo que se conservou da Thalia de Ário (15). O conflito ariano em curso levou-o a incluir provas documentais do período anterior — a carta inicial de Ário a Alexandre (16 = Dok. 1), bem como uma série de outros breves fragmentos de cartas que datam dos anos em que a controvérsia se desenvolveu (Doks. 6, 7, 11 e 16, todos encontrados na seção 17). Ele também fornece os textos e a análise de oito credos conciliares posteriores, todos destinados a substituir o de Niceia. Assim, encontramos muita coisa de interesse sobre o contexto do concílio e a controvérsia ariana, mas pouco sobre o próprio concílio. Ainda assim, essa obra ilustra bem como o prestígio de Niceia continuou a crescer. Os bispos ortodoxos do Concílio de Arímino (Rímini), em 359, são apresentados como exemplo por terem declarado: “Não circularão mais novos pedidos de concílios, pois os bispos de Niceia os anteciparam de uma vez por todas e fizeram tudo o que era necessário para a igreja católica” (8). Nas seções 36 e 45, Atanásio volta a resumir os debates que levaram a “da ousia do Pai” e a homoousios, mas não acrescenta nenhum detalhe novo.

Em sua Carta aos bispos do Egito e da Líbia (361), Atanásio adverte contra a circulação de um novo credo destinado a “lançar uma sombra sobre o Concílio de Niceia e a confissão de fé então proclamada contra a heresia ariana” (5). Ao escrever, mais ou menos na mesma época, seu Tomo ao povo de Antioquia, onde estava ocorrendo um grave cisma, ele disse que, ao se buscar a unidade, não se deveria exigir nada além da aceitação do Credo Niceno (4). No ano seguinte, numa carta ao novo e jovem imperador, Joviniano, Atanásio também o aconselha “a aprender de nós a fé da igreja católica, … a fé confessada pelos pais em Niceia” (1), assegurando-lhe que ela contém a fé “pregada desde tempos imemoriais” e que “as igrejas de toda parte” a ela aderem (2). Ele termina anexando o próprio credo (3).47

Por volta de 369, o idoso bispo escreveu um último tratado de peso, uma Carta aos bispos da África, que volta a proclamar que os bispos de Niceia respiravam “o espírito das Escrituras” (5) quando condenaram os ensinamentos arianos.48 Eles haviam ensinado que “o Verbo não era uma criação/criatura” (4) e condenaram as ideias arianas de que o Verbo fora criado do nada (como o restante da criação), de que houve um tempo em que ele não existia e de que por natureza ele é mutável (5). Esses bispos “reuniram das Escrituras as passagens” que mostravam que esses ensinamentos eram falsos, e não o fizeram por conta própria, mas também por meio do “testemunho dos pais” (6). Até Eusébio de Cesareia fora obrigado a admitir diante de sua igreja que homoousios havia sido usado por pais ortodoxos anteriores (6). Assim, ele pode concluir que “este concílio de Niceia é, na verdade, uma proscrição de toda heresia”, e chega a estender isso aos ensinamentos sobre o Espírito Santo, que, no fim da década de 360, haviam começado a ser motivo de controvérsia.

Em resumo, podemos dizer que, embora o vasto conjunto dos escritos de Atanásio acrescente surpreendentemente poucos detalhes novos, eles oferecem uma confirmação geral do nosso quadro do concílio. Documentam também a importância crescente atribuída ao concílio e ao seu credo como pedras de toque da ortodoxia. Como ele diz de Niceia em outra carta de 370, esta a um certo Epicteto, Niceia “foi um monumento de vitória sobre toda heresia, mas especialmente sobre a ariana” (1).49

Eustácio de Antioquia

É a História eclesiástica de Teodoreto (1.7.18-8.6) que fornece uma breve citação sobre o concílio de um quarto participante, Eustácio de Antioquia. Ao explicar Pv 8:2250 numa obra contra os arianos, Eustácio faz uma breve recordação dos acontecimentos do concílio. Depois de confirmar que houve um debate acalorado com Eusébio de Nicomédia, ele menciona que este também apresentou um credo. Eustácio é citado da seguinte forma:

Quando o grandíssimo concílio foi convocado em Niceia, reuniram-se cerca de 270 bispos. … Quando começaram a investigar a natureza da fé, foi apresentada a fórmula de Eusébio [de Nicomédia]. Ela continha provas indisfarçadas de sua blasfêmia. Sua leitura pública causou grande pesar aos ouvintes, porque se afastava da fé, ao mesmo tempo que trazia vergonha permanente ao seu autor. Depois que o bando eusebiano foi claramente condenado e seu escrito ímpio foi rasgado na presença de todos, alguns deles, sob o pretexto de preservar a paz, juntaram-se para silenciar todos os oradores mais capazes. Os ariomaníacos,51 temendo ser expulsos da igreja por um concílio de tantos bispos, apressaram-se a anatematizar e condenar as doutrinas que haviam sido condenadas, e assinaram unanimemente a confissão de fé. Assim, conservaram a posse de suas sés episcopais por meio do mais vergonhoso engano, embora devessem ter sido destituídos.52

Os cânones e a carta do concílio à igreja de Alexandria (Dok. 25)

Como vimos, o imperador enviou cartas imperiais para anunciar as decisões do concílio às diversas igrejas. Os vinte cânones ou resoluções aprovados a respeito de outras questões de ordem mais prática também circularam amplamente. Eles nos informam que foram discutidas várias outras questões relativas a diferentes aspectos dos requisitos para o clero (cânon 1), sua devida ordenação e chamado (2, 4, 9), sua conduta apropriada (3, 15-18) e sua remoção do cargo (5, 10). Também foram discutidas e acordadas normas para a administração e a supervisão eclesiásticas regionais (6-7). Foram igualmente acordados caminhos para a readmissão de leigos que haviam caído de diversas maneiras (11-14), de seguidores arrependidos de Paulo de Samósata (19) e do clero cismático novaciano (8). Essas discussões não foram mencionadas nos relatos das testemunhas oculares, que se concentraram nos três principais itens da pauta: Ário, os melicianos e a celebração da Páscoa.

Por fim, sobrevive outra carta escrita em nome do concílio e dirigida especificamente à igreja de Alexandria, o ponto focal de várias das questões-chave tratadas. Atanásio (Decr. 36) e vários historiadores eclesiásticos posteriores53 preservaram essa carta. Embora mais uma vez a carta nos dê pouquíssima informação nova, ela confirma o quadro apresentado pelas outras testemunhas oculares discutidas acima: que foi Constantino quem convocou o concílio; que o primeiro item da pauta foi examinar, na presença do imperador, “a impiedade e a iniquidade de Ário e de seus adeptos”; que se decidiu por unanimidade que ele e suas declarações heréticas (e dois de seus seguidores impenitentes, Teonas de Marmárica e Segundo de Ptolemaida) deveriam ser anatematizados (3); que o concílio tratou também das “ações temerárias de Melécio e dos que foram ordenados por ele” (5) e que, “movido de compaixão”, permitiu-lhe permanecer em sua posição e encontrou maneiras brandas de reincorporar o clero de seu grupo (6-10); que a celebração da Páscoa também foi “harmonizada” e “felizmente resolvida por meio de vossas orações” (12); que todas as demais disposições e decisões seriam explicadas aos alexandrinos por “nosso Senhor e honradíssimo colega no ministério e irmão Alexandre, visto que ele participou de tudo o que fizemos e foi, de fato, um líder” (11).

A descrição detalhada do programa de reintegração de Melécio e de seu clero é a informação nova mais valiosa. Permitiu-se ao próprio Melécio conservar o título de bispo, mas, por causa de “sua conduta desordenada anterior e por causa da temeridade e da inconstância de seu caráter”, ele não poderia participar de nenhuma ordenação nem se envolver em nenhum outro assunto eclesiástico fora de sua própria cidade (6, 10). Os que ele havia ordenado deveriam ser reconsagrados pelo clero legítimo local (isto é, católico) e poderiam então continuar a servir em suas funções anteriores, embora devessem ficar subordinados ao clero que havia sido devidamente nomeado por Alexandre (7). Deveriam fazer tudo com a concordância dos bispos e do clero católicos locais. Se um desses clérigos melicianos se mostrasse obediente a esse procedimento, quando o clérigo católico acima dele morresse, ele poderia ascender para ocupar seu lugar, mas somente com a permissão do bispo de Alexandria (9).

Observe-se que, embora tanto Ário quanto Melécio fossem vistos como instigadores da desunião e ambos tenham sido apontados no concílio como tremendamente equivocados e perturbadores para a igreja, eles foram tratados de duas maneiras muito diferentes. No caso de Ário, tratava-se de uma questão de doutrina, e por isso ele e seus seguidores que permaneceram impenitentes em seu ensino foram condenados e anatematizados. No caso de Melécio, tratava-se de uma questão de ordem eclesiástica e de procedimento fraterno; por isso, “movido de compaixão” (6), o concílio ofereceu a ele e ao seu clero um caminho de volta à igreja, assim como aos novacianos no cânon 8.

Conclusão

Embora pudéssemos desejar mais relatos de testemunhas oculares do primeiro grande concílio da igreja, os que temos são suficientes para confirmar o relato geral dos primeiros historiadores eclesiásticos, que produziram quadros mais completos um século depois. Este estudo procurou ser honesto quanto às deficiências desses relatos. Pode-se compreender por que os que desejam ser céticos quanto a qualquer conhecimento seguro dos acontecimentos conseguem satisfazer esse impulso. No entanto, apesar da falta de detalhes em muitas áreas, as peças do quebra-cabeça que temos se encaixam, ainda que tenhamos muitas peças repetidas e outras que se perderam. Temos poucas evidências de que os muitos opositores da cristologia nicena tenham questionado abertamente o que ali ocorreu. Somente Filostórgio, escrevendo várias gerações depois, afirmou que houve certa coação por parte dos ortodoxos, e mesmo ele concorda que os arianos que ali assinaram o credo o fizeram com duplicidade.54

Ao celebrarmos os 1.700 anos do concílio e de seu credo, podemos fazê-lo com a confiança de que conhecemos as linhas gerais do que ali aconteceu e do que foi decidido. Graças a todos os editores modernos, dispomos agora também de edições críticas de todas as fontes antigas necessárias para o trabalho — e de traduções inglesas razoáveis, ainda que datadas. Certamente não foi uma assembleia perfeita, mas o fato de ser lembrada com ação de graças por quase todos os ramos da igreja na terra é um testemunho de sua importância. O credo seria revisado de modo significativo cinquenta e seis anos depois, mas conservaria a estrutura básica e a terminologia forjadas em 325. Os bispos de Constantinopla, em 381, e os dos concílios ecumênicos que se seguiram foram categóricos em afirmar que, em sua forma final, esse ainda era o credo de Niceia. E temos razão em considerá-lo assim ainda hoje.

Notas

41 Já se sugeriu que a antiga carta conciliar de Alexandre de Alexandria Ἑνὸς σώματος (Dok. 2.2, c. 320), que expunha em detalhe os ensinamentos de Ário, foi na verdade escrita por Atanásio, então ainda jovem diácono do bispo e possivelmente seu secretário.

42 Gelásio, Eccl. hist. F12; História eclesiástica anônima 2.11.8; Rufino, Hist. 10.5. Sócrates também disse que os arianos “encontraram forte oposição da parte de Atanásio” em Niceia, dando a entender que ele desempenhou ali um papel importante (Eccl. hist. 1.8.13).

43 É difícil datar Sobre a encarnação. A obra não contém referências à controvérsia ariana; mas, se foi escrita antes do início da controvérsia ariana, Atanásio ainda seria um adolescente quando a escreveu. Se, porém, a escreveu depois, por que não se refere à controvérsia ariana, sobretudo porque o tratado aborda assuntos que estavam em discussão na controvérsia? Barnes (Athanasius and Constantius: Theology and Politics in the Constantinian Empire [Cambridge: Harvard University Press, 1993], 13) levanta a hipótese de que Atanásio a escreveu pouco depois do Concílio de Niceia (c. 326-28), quando por um breve período pareceu que a controvérsia estava resolvida. Segundo essa visão, Atanásio aproveitou a oportunidade para mostrar sua habilidade teológica, pois previa que sucederia a Alexandre como bispo de Alexandria (o que de fato aconteceu em 328). Ele não se referiu à controvérsia porque Ário estava no exílio e refutá-lo teria sido supérfluo.

44 O texto crítico é o de Opitz em Athanasius Werke 2.1-2, p. 1-45. O Decr. pode ter sido escrito c. 352 para Libério, recém-elevado a bispo de Roma. O bispo romano havia recebido uma carta dos bispos arianos orientais que condenava Atanásio sob diversas acusações, e o Decr. foi a defesa escrita de Atanásio.

45 Ver acima sobre Dok. 31 = Decr. 41.1-17, especialmente as seç. 14-15.

46 Esse dossiê inclui (nesta ordem) a carta de Eusébio de Cesareia à sua congregação (Dok. 24), as duas cartas de Alexandre de Alexandria (Dok. 2.1, 2.2), a carta do concílio de Niceia à igreja de Alexandria (Dok. 25), o credo do concílio (Dok. 26) e as cinco cartas de Constantino escritas logo após o concílio (Dok. 29, 28, 27, 31, 32). Somente as duas primeiras cartas de Alexandre contra Ário não pertencem ao período imediatamente posterior ao concílio. Curiosamente, as duas cartas que Eusébio inseriu em sua Vit. Const. (Dok. 19, 30) não são repetidas por Atanásio, o que talvez indique que ele supunha que seus leitores conheciam a biografia imperial de Constantino escrita por Eusébio.

47 Aos bispos do Egito e da Líbia = Athanasius Werke 1.1, 1-64 (grego) e NPNF2 4:223-35 (inglês); Tomos ad Antiochenos = Athanasius Werke 2.8, 340-51 e NPNF2 4:483-86; Epistula ad Jovianum = AW 2.8, 352-56 e NPNF2 4:567-68.

48 Texto grego em Athanasius Werke 2.8, 322-39, e tradução inglesa em NPNF2 4:488-94.

49 CPG 2095 (G. Ludwig, ed., Athanasii epistula ad Epictetum [Jena: H. Pohle, 1911] e PG 26:1049-69; tradução inglesa em NPNF2 4:570-74 [Ep. 59]): “A fé ali [em Niceia] confessada pelos Pais segundo as divinas Escrituras basta por si só para derrubar de uma vez toda impiedade e para estabelecer a crença religiosa em Cristo. … Nenhum sínodo deve ser citado na Igreja Católica senão unicamente o que foi realizado em Niceia” (1).

50 “O Senhor me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas” (ARA).

51 Se esse escrito de Eustácio foi redigido antes de ele ser deposto por um concílio em 330, este seria o primeiro uso preservado desse termo depreciativo para Eusébio de Nicomédia e outros partidários de ideias semelhantes às de Ário.

52 Teodoreto, Eccl. hist. 1.7.18-8.6, que conclui: “estas são as palavras do grande Eustácio”. Embora Eustácio se refira apenas a Eusébio, essa passagem deve referir-se ao bispo de Nicomédia, que veio a tornar-se o líder dos hereges após a queda de Ário, e não a Eusébio de Cesareia. O contexto mais amplo da narrativa de Teodoreto também deixa isso claro.

53 Sócrates, Eccl. hist. 1.9; Teodoreto, Eccl. hist. 19.2; História eclesiástica anônima 2.34.2.

54 Filostórgio (Bidez, Philostorgius, 1.9) afirma que Eusébio de Nicomédia, Teógnis de Niceia e Máris de Calcedônia “desertaram” de seus camaradas arianos para a posição do concílio, mas “o fizeram com astúcia” e “ocultaram” suas crenças homoiousios ao usar o termo homoousios.

O Pastor Dr. Glen L. Thompson foi designado para Lusaca, na Zâmbia, onde serviu por seis anos (1977-1983). Enquanto estudava história antiga na Columbia University, fundou a primeira igreja do WELS na cidade de Nova York. Seus dois grandes amores (missões/evangelismo e o estudo acadêmico) continuariam a orientar sua carreira quando lecionou no Michigan Lutheran Seminary e no Wisconsin Lutheran College e deu início ao que hoje é o Pastoral Studies Institute do WLS. Em 1999, foi convidado a dar aulas para a SALEM em Hong Kong, o que deu início a uma série de visitas de ensino que culminaram em seu serviço em tempo integral no Asia Lutheran Seminary como Reitor Acadêmico e Professor de Novo Testamento e História da Igreja (2011-2020). Aposentado, continua a lecionar nas missões mundiais e no programa Grow in Grace do WLS, além de pesquisar, escrever e manter os sites www.fourthcentury.com e www.PaulineRoads.com. Seus muitos livros podem ser vistos em sua página de autor na Amazon.

Publicado originalmente em Wisconsin Lutheran Quarterly, v. 122, n. 4 (outono de 2025).

As citações bíblicas são da Almeida Revista e Atualizada, 2ª edição (ARA), © Sociedade Bíblica do Brasil.